segunda-feira, 27 de março de 2017

Palestina: o Dia da Terra


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Comemoração do Dia da Terra da Palestina





Palestinos: O Dia da Terra

Publicado na Folha de S. Paulo em 29.03.1985.

Por Maurício Tragtenberg*

 Amanhã, dia 30, o povo palestino comemora o “Dia da Terra”, que surgiu como lembrança histórica da resistência que em 1976, os vários palestinos da Galiléia (território ocupado em 1948) manifestaram contra a invasão e ocupação de suas terras pelo Estado em Israel.

 Como acontece nessas ocasiões houve repressão e violência por parte das autoridades militares de ocupação, onde foram indiscriminadamente atingidos homens, mulheres, velhos e crianças. É impossível destruir um povo que por mais de trinta séculos construiu sua cultura, suas obras materiais e espirituais.

 Enquadrada no plano da destruição da cultura e identidade do povo palestino estão as universidades palestinas construídas nas ‘zonas ocupadas’ pelo Estado em Israel.

  Através da Ordenança Militar 854, uma das 1.080 ordenações militares que modificam a legislação jordaniana, em vigor na Cisjordânia, o Estado detém em suas mãos a permissão de funcionamento de qualquer instituição educacional, que implica no controle pelas autoridades do pessoal acadêmico, dos programas e manuais de ensino.

  Uma das iniciativas que afetou gravemente o funcionamento das universidades palestinas nas ‘zonas ocupadas’ foi que a partir de 1983 os professores estrangeiros –na realidade palestinos com passaportes de diversas nacionalidades estrangeiras – tenham que assinar uma declaração, segundo a qual, comprometem-se a não dar apoio algum à OLP nem a qualquer organização terrorista. Ante a recusa unânime do corpo de professores em assinar tal ignominioso papel, a repressão foi terrível.

  A Universidade d’An-Najah teve dezoito professores expulsos, enquanto outros três que estavam no Exterior foram proibidos de ingressar na Cisjordânia. Bir-Zeit perdeu cinco e a Universidade de Bethléem perdeu doze de seus professores.

  O fechamento temporário de universidades é outra medida que as “autoridades” de ocupação lançam mão; entre 1981/2 a Universidade de Bir-Zeit ficou fechada sete meses. A Universidade de An-Najah em 1982/3 ficou fechada durante três meses consecutivos, as Universidades de Bethléem e Hebron conheceram igual destino.

  Com o fim de vencer a resistência cultural palestina, a detenção de estudantes pelos motivos mais fúteis é coisa comum em todas as universidades da Cisjordânia. Os detidos são confinados na prisão de Fara’a, no Vale do Jordão. Segundo a advogada Lea Tsemel, o detido, conforme a “lei de urgência” (do período do Mandato Britânico) pode ficar incomunicável durante dezoito dias, sem culpabilidade definida nem visita de advogado. Por trazer consigo um panfleto ilegal o detido pode assim ficar durante 48 dias.

  O “tratamento” é o mais degradante possível: duchas frias, golpes, insultos.

  O presidente do Conselho de Estudantes de An-Najah, condenado a seis anos de prisão em 1974, não só afirmou ter sido torturado como também afirmou: “todos os prisioneiros palestinos são torturados.”

  Porém, a Universidade de Bir-Zeit é um foco de resistência cultural palestina; organiza atividades culturais fundada na cultura popular palestina. Possui uma biblioteca significativa aberta à consulta pública.

  Os dados a respeito da situação de resistência cultural palestina acima descrita nos foram fornecidos por Sônia Dayan-Herzbrun e Paul Kessler, que testemunham: “O fato de sermos judeus não afeta nossa objetividade em relação ao tema tratado. A consciência de nossa identidade judaica e das responsabilidades inerentes a ela nos levaram a participar do Centro de Cooperação com a Universidade Bir-Zeit.” (Le Monde Diplomatique, julho de 1984)

É o que também pensamos. O “Dia da Terra” é a reafirmação de um povo que pode ser expropriado, espezinhado, torturado, caluniado;vencido nunca.



* Maurício Tragtenberg, 54, professor do Departamento de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas SP) e da PUC-SP, escreveu, entre outros livros, “Administração, Poder e Ideologia.


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sábado, 11 de março de 2017

Apresentador israelense denuncia apartheid de Israel na Palestina

Assaf Harel criticou os seus conterrâneos por ignorarem a ocupação israelita em território palestino, num discurso emocionante.


Assef Harel faz dura critica a ocupação da Palestina



Assaf Harel não te deve ser um nome familiar. Trata-se de um humorista israelense de 41 anos, conhecido pelas declarações polêmicas que faz sobre o seu próprio país. Desta vez foi mais longe e tornou-se viral pelos melhores motivos.

Foi no monólogo final do último episódio do seu talkshow “Good Night With Assaf Harel” que o israelense denunciou a forma como Israel tem tratado a Palestina.



Pediu aos israelenses que abram os olhos e se apercebam que o que se passa entre os dois países é um verdadeiro Apartheid. O discurso é claramente dirigido aos seus conterrâneos, que critica por ignorarem a ocupação israelense em território palestino: “Como estamos do lado bom, nunca nos preocupamos”, “Nós temos abusado dos palestinos diariamente durante anos, temos-lhes negado direitos básicos”, “Nós estamos bem. Mas há milhões de pessoas por quem somos responsáveis que vivem num estado horrível.”

Harel atacou alguns dos assuntos mais tabu em Israel e o vídeo da sua intervenção tem sido muito partilhado nas redes sociais e chega numa momento político crucial para a região.

Depois de anos de um relacionamento frio entre Washington e Israel, quando tomou posse Donald Trump declarou que está do lado do primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu. Passado pouco tempo recuou. Os confusos compromissos diplomáticos entre os dois países já afetaram assuntos como a mudança da embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém, a construção de novos colonatos judaicos ou a polémica “solução de dois estados” para resolver o conflito israelo-palestino.

No meio de tudo isto, não fica claro em que fase está o processo de paz.

Os últimos desenvolvimentos com os Estados Unidos têm encorajado a direita radical israelense a achar que assistimos a uma “nova era”.

Importa dizer que “Good Night With Assaf Harel” era um dos programas mais controversos emitidos pela televisão israelense e que não vai ser renovado para mais uma temporada na sequência das fracas audiências – apesar de ter sido altamente seguido nas redes sociais.

O programa chegou a ser multado por causa de um episódio em que Harel ridicularizou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

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sábado, 4 de março de 2017

Em novo livro, Judith Butler faz crítica judaica ao sionismo


Novo livro de Judith Blair critica sionismo





RIO - Mais conhecida no Brasil por seus estudos sobre gênero, Judith Butler reflete sobre sionismo e identidade em seu último livro publicado no Brasil, “Caminhos divergentes: judaicidade e crítica do sionismo”. Na obra, a filósofa pós-estruturalista americana, que causou polêmica ao defender posições pró-Palestina e apoiar uma campanha internacional de boicote cultural, econômico e político a Israel, argumenta que é possível, como ela vem fazendo, criticar as posições do país no conflito Israel-Palestina, e, ao mesmo tempo, reafirmar a sua própria cultura judaica.

Nos princípios éticos judaicos que fizeram a sua formação, escreve ela, tenta encontrar ferramentas para “contestar a subjugação colonial que o sionismo tem exercido sobre o povo palestino”. Para isso, apoia-se em pensadores judeus e elabora as condições para uma convivência possível entre israelenses e palestinos.

Em entrevista ao GLOBO por e-mail, Judith fala sobre os conflitos provocados por suas posições contra as políticas recentes do Estado de Israel, sobre a sobrevivência do multiculturalismo após a eleição de Trump e as obrigações morais da coabitação dos povos.

Por que é importante fazer uma crítica judaica ao Estado de Israel? Que valores judaicos podem ser usados na crítica às políticas israelenses?

É importante entender que há muitas visões de Israel entre os judeus. O povo judeu é internamente complexo. Eles vêm de muitos lugares do mundo e nem sempre se veem representados pelo Estado de Israel. Na verdade, se pensarmos nos valores judeus de justiça, igualdade e hospitalidade, vemos que o Estado de Israel é contra princípios chaves da Ética Judaica.

Embora reafirme sua formação judaica, a senhora também defende a necessidade de ir além do judaísmo. Por quê?

Eu me oponho à ocupação, da mesma forma que muitas pessoas se opõem à ocupação. A maioria das leis internacionais condena a ocupação, então minha oposição não é muito diferente da de um não judeu que se opõe à ocupação como uma violência dos direitos humanos. Mas porque se diz frequentemente que aqueles que se opõem ao Estado de Israel se opõem ao povo judeu, é importante saber que o povo judeu também se opõe ao Estado de Israel em muitos aspectos, clamando por direitos humanos internacionais e direitos democráticos para todas as pessoas, incluindo os palestinos.

Em 2014, sua palestra sobre Kafka no Museu Judaico de Nova York foi cancelada após reclamações sobre seu envolvimento com o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções contra Israel). Como reagiu à notícia?

Na verdade, eu até tenho tido sorte, já que minhas participações em eventos são raramente canceladas. Mas está havendo, sim, um esforço para criminalizar a posição política do BDS. Boicotes são reconhecidos como instrumentos legais de expressão de pontos de vista políticos, então é uma perspectiva horrível que se diga às pessoas que assumem este ponto de vista de que o ponto de vista delas sequer pode ser ouvido. Sabemos que muitas pessoas tiveram suas participações em eventos canceladas e que há uma ampla campanha para silenciar quem tem opiniões críticas a Israel.

No livro, a senhora diz que é importante pensar em uma solução de Estado único para o conflito Israel-Palestina, mesmo que muitos a considerem impraticável...

Na história do mundo, certamente muitas ideias foram vistas como impraticáveis: a abolição da escravidão, os direitos iguais para mulheres e minorias, o fim da guerra... E, ainda assim, aqueles que continuam a luta por liberdade, igualdade e não violência tiveram que persistir. Se seguíssemos apenas opções práticas, perderíamos nossos princípios e nossa esperança.

A senhora acredita que, se não pensarmos na coabitação, nosso mundo empobrecerá radicalmente. Mas o que significa viver com o outro? Quais são nossas obrigações morais quando coabitamos com aqueles que não escolhemos?

No fim das guerras ou no fim legal do apartheid, sociedades são confrontadas com o difícil problema de viver com aqueles que foram seus inimigos. É uma tarefa difícil viver junto com o ódio duradouro, a raiva, onde não há amor. Mas se todos afirmarem a obrigação de viverem juntos, então eles têm essa obrigação em comum, e essa obrigação passa a representar o presente e o futuro da vida compartilhada.

Como vê o futuro do pluralismo na era Trump?

O movimento emergente de resistência inclui populações multiétnicas e multirraciais que estão se unindo para combater o racismo, a xenofobia e a misoginia. Este movimento de resistência representa o futuro da pluralidade neste momento. Minha crença é que, com o tempo, ele vai ganhar.


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