segunda-feira, 22 de abril de 2013

Brasileiro é preso acusado de atirar pedras em soldados israelenses

Guila Flint

De Tel Aviv para a BBC Brasil

Atualizado em 21 de abril, 2013



O adolescente Majd Hamad, de 15 anos, filho de uma brasileira e que vinha sendo procurando pelo Exército israelense sob acusação de jogar pedras contra as tropas, se entregou neste domingo em uma delegacia de polícia na Cisjordânia.


Acompanhado pela mãe, Najat Hamad, que nasceu em Goiás, e pelo ministro-conselheiro do escritório de Representação do Brasil em Ramallah, João Marcelo Soares, ele chegou pela manhã ao posto policial Binyamin, perto de Ramallah.

Criança, filho de brasileira, preso por atirar pedras em soldados Israel
Majd Hamad, 15 anos, é filho de brasileira de Goiás
que se mudou para a Cisjordânia há 17 anos
Após cerca de uma hora de interrogatório, durante o qual as autoridades não permitiram a presença da mãe ou do diplomata, Majd ficou detido no local e, de lá, deverá ser transferido para a prisão de Ofer.

De acordo com a mãe, "quando saiu do interrogatório, estava muito nervoso e com olhos vermelhos, mas não me deixaram falar com ele".

O adolescente é acusado de jogar pedras contra soldados israelenses durante uma manifestação no dia 11 de abril, nas proximidades do vilarejo de Silwad, onde mora.

Najat Hamad, nascida na cidade de Anápolis, afirma que seu filho não participou da manifestação em questão.

"Naquele dia, eu e meu marido decidimos não deixar Majd sair de casa, pois a situação estava tensa em Silwad, depois que colonos de um assentamento próximo espancaram um agricultor palestino", disse a mãe à BBC Brasil.

Segundo o porta-voz do Exército israelense, capitão Barak Raz, "o Exército não prende ninguém à toa. Se foi preso, é sinal de que há provas contra ele", disse citando a possibilidade de haver vídeos, fotos ou depoimentos envolvendo o nome do adolescente.

Buscas


De acordo com o relato da mãe, soldados israelenses invadiram a casa da familia às 2 horas da manhã do sábado (13).

"A familia inteira estava dormindo quando ouvimos batidas muito fortes na porta", disse a brasileira. "Minha filha de 13 anos foi abrir e se deparou com um grupo de soldados com fuzis apontados para a cabeça dela."

"Eles entraram rapidamente e começaram a revistar a casa. Reuniram a nossa família na sala e começaram a procurar nos quartos", disse a mãe.

"Eu tinha certeza de que eles estavam procurando meu marido e fiquei muito surpresa quando um dos soldados me disse que vieram prender Majd."

Embaixador João Soares acompanhou adolescente na Cisjordânia
João Marcelo Soares (dir.) acompanhou o adolescente
e sua mãe à delegacia na Cisjordânia
"Eu disse a ele que Majd tinha ido dormir na casa de parentes e que ele é muito pequeno, só tem 15 anos", afirmou.

Ao fim da operação de busca, a mãe prometeu aos militares que entregaria seu filho às autoridades israelenses neste domingo.


Fiança


O diplomata brasileiro João Marcelo Soares, que acompanhou a apresentação do adolescente à delegacia, disse à BBC Brasil que "as autoridades israelenses me informaram que os interrogatórios ainda estão em curso e, ao final, haverá uma decisão sobre o pedido de libertação sob fiança".

"Caso o pedido seja negado, amanhã (segunda-feira), os menores serão levados a um tribunal militar, que deverá reconsiderar o pedido", acrescentou.

Majd Hamad foi preso juntamente com mais quatro colegas da mesma classe, todos de 15 ou 16 anos.

Sua mãe, Najat Hamad, que mudou-se para a Cisjordânia há 17 anos, disse que "não esperava que aqui prendessem crianças desse jeito".

"O que são pedras diante das metralhadoras e dos veículos blindados do Exército israelense?", perguntou.

O Exército israelense define o lançamento de pedras como "atentados terroristas que podem matar".

Unicef


Em março, o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) publicou um relatório acusando Israel de violar os direitos de crianças e adolescentes palestinos presos.

O relatório afirma que "menores de idade palestinos detidos por militares israelenses são sujeitos a maus tratos que violam a lei internacional".

De acordo com o Unicef, a cada ano cerca de 700 menores palestinos, entre 12 e 17 anos, são interrogados e detidos pelo Exército, pela polícia e por agentes de segurança de Israel.

Segundo o presidente da Associação dos Prisioneiros Palestinos, Kadura Farez, atualmente há cerca de 200 menores palestinos presos em cadeias israelenses.

Farez disse à BBC Brasil que, nas cadeias israelenses, os menores "têm o mesmo tratamento que os adultos, não há prisões especiais para as crianças".

domingo, 21 de abril de 2013

OLP e partidos palestinos: apoio do Brasil à libertação é crucial

O chefe de gabinete da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) Hussein Al-Araj recebeu a 2ª Missão de Solidariedade ao Povo Palestino em Ramallah, Cisjordânia, neste sábado (20). O grupo apresentou as entidades que o compõem e falou da importância da causa palestina no Brasil, enquanto Al-Araj ressaltou o papel do governo brasileiro no reconhecimento do Estado da Palestina.


Por Moara Crivelente, de Ramallah para o Portal Vermelho 


Gabinete da Presidencia da ANP e OLP - Delegação brasileira
Antônio Barreto de Souza, representante do Cebrapaz, entrega documentos a Hussein Al-Araj,
chefe de gabinete do presidente da OLP e da ANP Mahmoud Abbas. Foto: Moara Crivelente
O oficial representa o presidente da ANP e da OLP, Mahmoud Abbas, que está na Jordânia. Em seu nome,Al-Araj reconheceu o empenho do Brasil pela causa palestina e agradeceu pelo apoio, primeiro, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou o reconhecimento do Estado da Palestina na América Latina, em 2010.

Os membros das entidades que formam o Comitê pelo Estado da Palestina, organizador da missão, falaram da causa palestina e da solidariedade que prestam ao povo palestino na sua luta pela
libertação contra a ocupação sionista, promovida pelo governo de Israel, e ressaltou o objetivo primordial de estabelecimento e reconhecimento internacional do Estado independente e soberano da Palestina.

  
Al-Araj falou da estratégia que a OLP escolheu empregar, abdicando da luta armada pelo investimento nas parcerias estratégicas com países como o Brasil, assim como pelo direito internacional, através das agências da ONU e através do Tribunal Internacional de Justiça, para o qual uma denúncia contra Israel é elaborada pela ANP.

A OLP é formada por 13 partidos políticos palestinos, entre os quais está o Fatah, partido do presidente Abbas e do ex-presidente e líder da resistência palestina, Yasser Arafat; a Frente de Libertação da Palestina; o Partido Popular Palestino; a Frente Popular de Libertação da Palestina; a Frente de Luta Popular Palestina; entre outros.

Entre os maiores partidos palestinos, estão ausentes da OLP apenas o Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde 2007; a Jihad Islâmica e o Partido de Libertação. Entretanto, Al-Araj garantiu que as negociações de aproximação entre esses partidos e a OLP seguem ativas, com previsões otimistas para que eleições nacionais sejam realizadas ainda antes de outubro de 2013, já que os três partidos representam 23% do eleitorado palestino na Cisjordânia.

A OLP foi estabelecida em 1964 e é declarada pelos partidos que a integram, assim como pela comunidade internacional, como o único representante legítimo do povo palestino. Por isso, foi incorporada como entidade observadora na Assembleia Geral da ONU e reconhecida até mesmo por Israel, através dos Acordos de Oslo da década de 1990, como “o único representante do povo palestino”.

Representações políticas


A missão brasileira também se reuniu com outros membros do Conselho Nacional Palestino, entre representantes do partido Fatah, da Frente Popular para a Libertação da Palestina, do Partido de Luta Popular, da União Geral de Mulheres Palestinas e da Juventude do Fatah.

Partidos políticos da OLP - Delegação brasileira - sede da Al Fatah
Omar Shehade, Mohamed Odeh e Abdallah Abdallah, membros de
partidos integrantes da OLP, falam da ocupação israelense e das
negociações à 2ª Missão de Solidariedade ao Povo Palestino
em Ramallah, na sede do partido Fatah.

Na sede do Fatah, Mohamed Odeh, presidente do Comitê da América Latina, também falou sobre o apoio dado pelo governo brasileiro à causa palestina e à criação de um Estado independente, em contraposição à negligência imperialista de potências como os Estados Unidos e outras europeias.

Odeh comentou sobre a visita do presidente dos EUA Barack Obama a Israel e à Palestina, quando tentou reavivar as conversações de paz com declarações retóricas e carentes de conteúdo efetivo, em março.

Os assessores de Obama foram enviados à sede do Fatah, segundo Odeh, para perguntar qual é a postura do partido e o que espera das negociações. Indignado com a motivação da visita, uma vez que os EUA têm se envolvido diretamente nas negociações entre Israel e Palestina principalmente desde as negociações de Oslo e já sabem qual é a postura palestina, Odeh pergunta: “mas o que os EUA estiveram fazendo nesses 20 anos em que se dizem mediadores? O que queremos é ser tratados como seres humanos”.

 Abdallah Abdallah, membro do Conselho Legislativo palestino, também do Fatah, reafirmou a importância das parecerias internacionais para a luta palestina por um Estado independente, embora Omar Shehade, da Frente Popular para a Libertação da Palestina (de orientação marxista-leninista, fundada em 1967), disse não acreditar em uma “solução de dois Estados”, uma vez que Israel faz de tudo para não permitir que isso aconteça, principalmente através da construção de colônias judias em território palestino.

Muna Namura- União Geral das Mulheres Palestinas
Convidada à sede da Frente de Luta Popular Palestina por Muna Namura, membro do partido e da União Geral de Mulheres Palestinas que apresentou a postura da Frente dentro da OLP e no governo palestino, a missão brasileira encontrou-se com Riziq Namura para conhecer a linha geral do partido (socialista, estabelecido em 1967 e que forma parte importante da OLP), e da unidade da luta palestina contra a ocupação israelense.

Pontos gerais para o Brasil


As reuniões deste sábado com representantes de importantes entidades palestinas teve um importante ponto em comum com relação ao papel do Brasil, para além do apoio e da solidariedade: o pedido para que as entidades brasileiras organizem campanhas legais contra o complexo militar-industrial e o comércio internacional que se fortalece entre Israel e o Brasil.

A denúncia da estreita relação militar e comercial entre os dois países, através de exemplos como os treinamentos policiais dados por israelenses a policiais brasileiros, a venda de armas pesadas de Israel ao Brasil (que chega a estar entre os maiores compradores de materiais bélicos israelenses) e acordos comerciais entre o Mercosul e Israel foram ressaltados, apesar do reconhecimento pelo apoio geral do governo brasileiro à causa palestina.

 A preocupação pelas relações comerciais internacionais com Israel foi ressaltada por praticamente todas as entidades com que a missão se reuniu, já que é clara a ligação entre as empresas militares e comerciais israelenses (sejam de “equipamentos de segurança” ou construtoras que participam no estabelecimento dos assentamentos) e a ocupação dos territórios palestinos, assim como a própria opressão das forças armadas e das instituições administrativas israelenses contra o povo palestino.


Mausoléu de Yasser Arafat, homenagem da Delegação Brasileira
2ª Missão de Solidariedade ao Povo Palestino presta homenagem no mausoléu do ex-presidente da ANP e da OLP e líder da resistência palestina Yasser Arafat. Foto: Leandro Taques


Neste sentido, a missão reafirmou não só a solidariedade ao povo palestino e sua luta pela liberdade anti-imperialista e anti-colonialista, em resistência contra o sionismo, mas também o compromisso com os esforços necessários para o reconhecimento efetivo e o estabelecimento de um Estado palestino independente e soberano, por ver nisso um passo crucial para a libertação do povo palestino, através da autodeterminação.

Neste sábado, o grupo também visitou o mausoléu do ex-presidente Yasser Arafat e o museu do maior poeta palestino, Mahmoud Darwish, cuja obra foca na resistência, na expulsão e na vida palestina em exílio, traduzida para 22 línguas. Darwish nasceu na Palestina, morou no Líbano, depois da criação do Estado israelense, em 1948, e morreu em 2008.

LEIA TAMBÉM:

وفد برازيلى يزور فلسطين تضامناً مع الشعب الفلسطينى ودعماً لقضيته

Palestina: 2ª Missão de solidariedade participa de protesto e reuniões

وفد برازيلي يزور قرية النبي صالح ويطلع على اوضاعها

Missão Internacional presta solidariedade ao povo palestino

MISSÃO BRASILEIRA DE SOLIDARIEDADE VAI À PALESTINA







Seguidores: