domingo, 31 de agosto de 2014

“América Latina foi vanguarda solidária com Gaza”, afirmam palestinos


Dirigentes palestinos afirmaram, nesta quarta-feira (27), que a América Latina esteve na vanguarda de solidariedade à Gaza durante a agressão de Israel. Eles destacaram ainda que este internacionalismo é herança de próceres como José Martí e Simón Bolívar.

América Latina é solidária com a causa palestina


Em um encontro de lealdade à Palestina, o membro do Conselho Nacional Palestino, Salah Salah, contrastou a firme condenação de governos latino-americanos e caribenhos aos bombardeios sionistas com a conivência dos Estados Unidos e seus aliados europeus.

“Seus países lançaram um grito de condenação contra Israel e enquanto outros abriram seus estabelecimentos militares para que o Estado sionista repusesse as armas que promoveram a agressão contra Gaza”, disse o político árabe diante de embaixadores latino-americanos e caribenhos.

“Seus presidentes adotaram decisões valentes contra Israel e de apoio à Palestina”, disse Salah Salah aos embaixadores de Cuba, Venezuela, Equador, México, Chile, Paraguai, Argentina, Brasil e Bolívia, que receberam placas de reconhecimento.

O político ainda pontuou que a principal base para Tel Aviv foi Washington ao aplicar a mesma prepotência que emprega para impor um bloqueio injusto a Cuba. Lembrou que já na década de 1970 Cuba, então presidida por Fidel Castro, cortou relações com Israel e foi um dos primeiros estados a subir ao posto de embaixada sua representação na Palestina.

Em tributo à atitude solidária dos povos e governos da América Latina, os palestinos enalteceram também o feito do presidente venezuelano Hugo Chávez, que durante uma forte agressão israelense contra a Palestina em 2009, cortou relações diplomáticas “pela raiz” com o país sionista.

Já a Bolívia, por sua vez, tomou a iniciativa de colocar Israel na lista dos países promotores do terrorismo e cancelou um acordo de extensão de vistos.



Refugiado palestino envia carta emocionante para a presidenta Dilma

No dia 9 de agosto, o palestino refugiado no Brasil, Hassan Rabea, enviou uma carta para a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff. No texto, o agora morador de Nova Lima, em Minas Gerais, agradece a líder brasileira pelo apoio que tem demonstrado a Palestina e a receptividade com que o país tem recebido estrangeiros que buscam abrigo. 


Refugiado Palestino agradece Presidente Dilma pelo apoio
Refugiado palestino no Brasil envia carta de agradecimento a presidenta
 Dilma Rousseff pelo apoio a Palestina e pela receptividade brasileira


Ele afirma ainda que tem dois desejos, um de conhecer Dilma e poder agradecê-la pessoalmente por sua atuação a favor do fim do massacre dos palestinos e o segundo de conseguir a cidadania brasileira. “A  nacionalidade brasileira de fato é um sonho para mim, e espero tê-la um dia, para que eu possa ter um papel e uma abordagem mais ativa e positiva na minha profissão e na vida. Espero que o meu amor e respeito ao Brasil possam me fazer ganhar a sua nacionalidade aqui”, diz. 


Confira a integra da carta:

Palestino à Presidente do Brasil

Prezada Sra Presidente Dilma Rousseff,

Saudações,

Eu gostaria de estender meus mais profundos sentimentos de gratidão à Vossa Excelência por sua postura e seu apoio ao povo palestino em meu país, a Palestina em geral, e na Faixa de Gaza, em particular. Sua postura valiosa, humana e com princípios contra a agressão militar israelense sionista é algo que eu nunca poderei esquecer.

Eu aprecio imensamente o seu discurso muito importante na busca da Libertação da Palestina, e para realizarmos o nosso direito de voltar à nossa pátria, a fim de vivermos livremente como qualquer outro povo na Terra.

Sou Hassan Rabea, um refugiado palestino, um fotógrafo do Campo de Refugiados Khan Younis, na Faixa de Gaza. Recentemente, mais uma vez tornei-me um refugiado, desta feita em seu belo país, o Brasil, onde eu me sinto seguro, protegido e longe da artilharia israelense, de sua Marinha e Força Aérea com incursões de seus aviões F16 e bombardeios que se abatem sobre as nossas casas e sobre quaisquer pessoas vivendo, rezando, comendo, amamentando, cozinhando e até mesmo dormindo em nossas casas, hospitais, mesquitas, escolas e hospitais para pessoas com deficiência.

Esses mesmos refugiados, que são bombardeados hoje, eram as mesmas pessoas que se fizeram refugiadas em 1948, quando suas famílias e parentes foram massacrados e privados de suas terras, aldeias e propriedades. Agora estou longe do meu bairro e campo de refugiados em Gaza; Gaza tornou-se um campo de batalha e um laboratório para o armamento avançado e letal de Israel.

No entanto, eu ainda posso ouvir os rugidos ferozes da artilharia israelense, bombardeiros, aviões teleguiados e marinha. Posso ouvi-los dentro do meu corpo e do meu próprio pulso. A minha família e parentes ainda estão sofrendo lá; enquanto existir ocupação israelense, o meu povo vai sofrer; quanto a mim aqui, eu seria um mentiroso se eu dissesse que eu não sofro estando longe de minha terra natal. Eu ainda visualizo rostos, gritos, suspiros, sangue, muito sofrimento e desespero, cadáveres, destruição e muitos amigos. É verdade que aqui não há ameaça imediata para a minha vida, mas meu coração dói quando eu me lembro da minha família, vizinhos e pessoas lá.

Eu vivo agora no exílio longe de minha família, amigos e vizinhos. Mais uma vez, eu me tornei um refugiado no seu país, entre o seu povo, por causa da colonização israelense impiedosa e desumana do meu país. Aqui, no Brasil, eu sempre tento manter-me firme e levar a vida com seriedade e responsabilidade, admirando e amando a vida, as pessoas e a liberdade. Um dia eu gostaria de me tornar um cidadão aqui, para viver com segurança e trabalhar com dignidade para sustentar minha família na Palestina.

Nacionalidade brasileira de fato é um sonho para mim, e espero tê-la um dia, para que eu possa ter um papel e uma abordagem mais ativa e positiva na minha profissão e na vida. Espero que o meu amor e respeito ao Brasil possam me fazer ganhar a sua nacionalidade aqui.

Espero que eu possa conhecer vossa Excelência aqui no Brasil, para agradecer pessoalmente o que seu belo país tem feito para o meu povo palestino e para meu país com o seu apoio e posições honrosas que respeito e aprecio de coração. Eu sei que é difícil para a minha carta chegar a sua mesa, e eu espero que ela possa chamar sua atenção e sentimentos. Penso que Vossa Excelência tem muito trabalho a fazer, no entanto, espero que eu possa conhecê-la para agradecer pessoalmente por sua sinceridade, compaixão e posições políticas nobres com o meu povo palestino. 



Muito carinho e gratidão 



Hasan Rabee, refugiado da Palestina no Brasil.


Fonte: Portal Vermelho

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